Consumo colaborativo: relação entre confiança e cooperação

Uiara Gonçalves De Menezes

Resumo


Dada a crescente preocupação com impactos causados pelos altos padrões de consumo, este trabalho busca analisar uma forma diferente de acessar bens e serviços por meio da colaboração, sem a necessidade de ter a propriedade sobre esse bem. Várias iniciativas de consumo colaborativo têm conquistado adeptos no mundo e também no Brasil, mas pouco se conhece sobre essas iniciativas. Por envolver grupos de pessoas, aspectos relacionados à confiança e cooperação são considerados relevantes para a operação do consumo colaborativo. Esses dois aspectos foram analisados em oito diferentes iniciativas de consumo colaborativo, através de entrevistas com oito respectivos usuários. O resultado que se pode extrair dessa análise foi de que nem todas as iniciativas estão baseadas na confiança, embora haja colaboração para o alcance dos objetivos pretendidos. Os tipos de iniciativas que apresentaram maior ênfase na confiança, por tratá-la de forma indispensável, foram couchsurfing, coworking, crowdsourcing e biblioteca em alguns pontos de ônibus. Nessas formas de consumo, a confiança é a base para a cooperação, pois sem confiança os indivíduos não teriam como alcançar o resultado desejado. Demais resultados e especificidades são apresentados no artigo.


Palavras-chave


confiança; cooperação; consumo colaborativo.

Texto completo:

PDF

Referências


Albinsson, P. A., & Yasanthi Perera, B. (2012). Alternative marketplaces in the 21st century: Building community through sharing events. Journal of consumer Behaviour, 11(4), 303-315.

Albinsson, P. A., Wolf, M., & Kopf, D. (2010). Anti-consumption in East Germany: Consumer resistance to hyperconsumption. Journal of Consumer Behaviour, 9(6), 412–425.

Baldin, N. (2011). Educação Ambiental Comunitária: Uma experiencia com a técnica de pesquisa Snowball. Revista eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental FURG, 27(1), 46-60.

Bardhi, F., & Eckhardt, G. M. (2012). Access-based consumption: the case of car sharing. Journal of Consumer Research, 39(4), 881-898.

Barnett, C., Cloke, P., Clarke, N., & Malpass, A. (2005). Consuming ethics: articulating the subjects and spaces of ethical consumption. Antipode, 37(1), 23–45.

Belk, R. (2007). Why not share rather than own?. The Annals of the American Academy of Political and Social Science, 611(1), 126-140.

Belk, R. (2010). Sharing. Journal of consumer research, 36(5), 715-734.

Black, I. R., & Cherrier, H. (2010). Anti-consumption as part of living a sustainable lifestyle: daily practices, contextual motivations and subjective values. Journal of Consumer Behaviour, 9(6), 437- 453.

Botsman, R., & Rogers, R. (2011). O que é meu é seu: como o consumo colaborativo vai mudar o nosso mundo. Porto Alegre: Bookman. Briceno, T., & Stagl, S. (2006). The role of social processes for sustainable consumption. Journal of Cleaner Production, 14(17), 1541-1551.

Castaldo, S. (2003). Trust variety conceptual nature, dimensions and typologies. IMP 2003 Conference, Lugano, Switzerland.

Chang, R. Y. K. (2001). Determinants of chinese consumers’ green purchase behavior. Psychology & Marketing, 18(4), 389-413.

Couchsurfing. (2013). Recuperado em 10 de Agosto, 2013, de http://www.couchsurfing.com/

Churchill, G.A. (1999). Marketing research: methodological foundations. 7 ed. The Dryden Press, 1999.

Doney, P. M., Cannon, J. P., & Mullen, M. R. (1998). Understanding the influence of national culture on the development of trust. Academy of management review, 23(3), 601-620.

Drska, M. (2015). Economia compartilhada impulsiona novos modelos de negócios no país. 20/04/2015. Brasil Econômico. Recuperado em 8 de Agosto, 2014, de http://brasileconomico.ig.com.br/tecnologia/2015-04-20/economia-compartilhada-impulsionanovos-modelos-de-negocios-no-pais.html.

Groonröos, C. (2000). Services Management and Marketing: a customer relationship management approach. 2. ed. England: Wiley, 2000.

Hagen, J. M., & Choe, S. (1998). Trust in japanese interfirm relations: institutional sanctions matter. Academy of Management Review, 23(3), 589-600.

Hollenbeck, C. R., Peters, C., & Zinkhan, G. M. (2006). Gift giving: a community paradigm. Psychology & Marketing, 23(7), 573–595.

Jackson, T. (2007). Sustainable Consumption. In: Atkinson, G., Dietz, S., & Neumayer, E. (Ed.). Handbook of Sustainable Development (pp. 254- 268). Cheltenham: Edward Elgar.

Jansson, J., Marell, A., & Nordlund, A. (2010). Green consumer behavior: determinants of curtailment and eco-innovation adoption. Journal of Consumer Marketing, 27(4), 358-370.

Leff, E. (2001). Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis RJ: RJ, Vozes/PNUMA.

Lewis, J. D., & Weigert, A. (1985). Trust as a social reality. Social Forces, 1985.

Luhmann, N. (1979). Trust and power. New York: John Wiley and Sons.

Malhotra, N. K. (2006). Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 4. ed. São Paulo: Bookman.

Maurer, A. M., Figueiró, P. S., Campos, S.A.P., Silva, V.S., & Barcellos, M.D. (2012, setembro). Yes, we also can! O desenvolvimento de iniciativas de consumo colaborativo no Brasil. Anais do Encontro da Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Rio de Janeiro, RJ, 36.

McAllister, D. J. (1995). Affect - and cognition - based trust as foundations for interpersonal cooperation in organizations. Academy of Management Journal, 38(1), 24-59.

Mont, O. (2002). Clarifying the concept of product-service system. Journal of Cleaner Production, 10(3), 237-245.

Mont, O. (2004). Institutionalisation of sustainable consumption patterns based on shared use. Ecological economics, 50(1), 135-153. Muniz Jr, A. M., & O’guinn, T. C. (2001). Brand community. Journal of consumer research, 27(4), 412-432.

Nielsen, B. B. (2004). The role of trust in collaborative relationships: a multi-dimensional approach. Management, 7(3), 239-256.

Ordanini, A., Miceli, L., Pizzetti, M., & Parasuraman, A. (2011). Crowd-funding: transforming customers into investors through innovative service platforms. Journal of Service Management, 22(4), 443-470.

Ostrom, E. (2000) Collective action and the evolution of social norms. The Journal of Economic Perspectives, 14(4), 137-158.

Prothero, A., Dobscha, S., Freund, J., Kilbourne, W. E., Luchs, M. G., Ozanne, L. K., & Thogersen, J. (2011). Sustainable consumption: opportunities for consumer research and public policy. Journal of Public Policy & Marketing, 30(1), 31–38.

Ropke, I. (1999). The dynamics of willingness to consume. Ecological Economics, 28, 399-420.

Rosemblum, C. (2015). Consumidor troca posse por colaboração. 13/03/2015. Valor Econômico. Recuperado em 4 agosto 2014 de http://www.valor.com.br/empresas/3951428/consumidor-trocaposse-por-colaboracao.

Rousseau, D. M., Sitkin, S. B., Burt, R. S., & Camerer, C. (1998). Not so different after all: A Cross- Discipline View of Trust. Academy of Management Review, 23(3), 393-404.

Slater, D. (2002). Cultura do consumo & modernidade. São Paulo: Nobel.

Sparks, P., & Shepherd, R. (1992). Self-identity and the theory of planned behavior: assessing a role of identification with “green consumerism”. Social Psychology Quarterly, 55(4), 388-399.

Wang, Y. (2006). Inside contractual joint ventures in China: ownership advantage, resource contribution and management control. Asian Business & Management, 5(3), 379-394.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Revista Metropolitana de Sustentabilidade - ISSN  2318-3233


 

 Impact Factor 1,362 - year 2015

  

 Quality Factor 2,000 - year 2015